Saúde Humana 14 de setembro de 2022, 15:10 14/09/2022

O diabetes muda seu estilo de vida, mas não muda você

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Jovens revisores

Resumo

Ultimamente, fala-se muito sobre o diabetes em crianças. Você já se perguntou o que é o diabetes e como surge? Essa doença possui uma longa história. Provoca um alto nível de açúcar no sangue, o que é perigoso para muitos órgãos, inclusive o coração e os rins. O diabetes também danifica os vasos sanguíneos e o sistema nervoso. Infelizmente, muitas vezes ele é detectado por acaso, em testes para outras doenças ou em exames de sangue durante um check-up. Os primeiros sintomas de diabetes que uma pessoa pode notar incluem fome e sede excessivas, cansaço ou micção frequente. Se você tem esses sintomas, não deixe de levá-los a sério – procure um médico e faça o exame de nível de açúcar no sangue.

O que é o diabetes?

Você já deve ter ouvido falar que manter o nível de açúcar no sangue sob controle é bom para a saúde. Mas o que isso realmente significa e onde se encontra esse açúcar? Para começar, nosso corpo precisa de açúcar a fim de produzir energia. Há diferentes tipos de açúcar nos alimentos que ingerimos, mas nosso corpo precisa mais de um deles, chamado glicose. Quando o nível de glicose está normal, sentimo-nos bem. A glicose nos fornece a energia de que necessitamos para brincar, estudar e praticar outras atividades. Mas como isso funciona?

Quando comemos, a glicose dos alimentos é absorvida por nossos intestinos e vai para a corrente sanguínea. Por isso, ela é às vezes conhecida como “açúcar do sangue”. O corpo converte a glicose em energia para nossas células, com a ajuda de um órgão chamado pâncreas. O pâncreas produz um hormônio, a insulina, que ajuda o corpo a estabilizar o nível de açúcar no sangue, que tende a subir quando comemos. Podemos ver a insulina como a chave que abre as células para a entrada da glicose. Normalmente, quando o nível de glicose no sangue aumenta, o corpo envia um sinal ao pâncreas para que ele comece a produzir insulina. Porém, em algumas pessoas, o pâncreas não funciona adequadamente e o diabetes pode aparecer. Então, o nível de glicose no sangue sobe a um nível pouco saudável porque a glicose não consegue entrar nas células e o corpo apresenta sintomas desagradáveis. Dependendo do tipo do diabetes, as pessoas precisam tomar injeções de insulina artificial. O diabetes também pode provocar a resistência à insulina – condição na qual o corpo não detecta que está produzindo insulina.

Tipos de diabetes

Podemos dividir o diabetes em dois grupos principais: diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2. O tipo 1 se deve à pouca produção de insulina pelo pâncreas, enquanto o tipo 2 ocorre quando as células do pâncreas segregam insulina em excesso por algum tempo, cansa-se e para de segregá-la [1].

O diabetes tipo 1 é causado pelo sistema imunológico do corpo, que ataca as células produtoras de insulina do pâncreas e danifica-as (Figura 1). Em consequência, os músculos recebem menos energia e o corpo inteiro se sente mal. Não sabemos exatamente por que o diabetes tipo 1 se desenvolve [2, 3].

Figura 1. No diabetes do tipo 1, as células produtoras de insulina do pâncreas são danificadas pelo próprio sistema imunológico do corpo. Em consequência, não há produção suficiente de insulina e as células do corpo, como as dos músculos, não recebem a quantidade de glicose necessária para gerar a energia de que precisam.

No diabetes tipo 2, o pâncreas é danificado pela produção excessiva de insulina (ver Figura 2). O diabetes tipo 2 pode ser herdado de nossos ancestrais ou causado por vírus e outras doenças que atacam o pâncreas [4]. O diabetes tipo 2 também está associado a um estilo de vida pouco saudável e à obesidade (que estimula seu desenvolvimento).

Figura 2. No diabetes do tipo 2, as células produtoras de insulina do pâncreas são destruídas pela produção excessiva de insulina, de modo que, com o tempo, menos insulina é produzida e o diabetes aparece.

Os sintomas do diabetes

Sede e fome excessivas, cansaço e vontade frequente de urinar podem ser os primeiros sintomas de diabetes identificados. Com o passar do tempo, podem ocorrer perda inexplicável de peso, visão borrada e ferimentos que demoram a cicatrizar. Outros sintomas comuns: dormência ou formigamento nos pés e nas mãos, sonolência constante e pele muito seca. Os sintomas podem diferir conforme o sexo e a idade da pessoa. Caso você experimente algum desses sintomas, não espere: procure seu médico e faça o exame para detectar o nível de glicose em seu sangue [5].

Posso contrair diabetes?

A resposta mais imediata é: sim. O diabetes pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade. Mas há diferenças significativas entre os diabetes tipos 1 e 2. Por muitos anos, acreditou-se que só crianças podiam contrair o diabetes tipo 1 e só adultos podiam ter o diabetes tipo 2. Hoje, sabemos que isso não é verdade. O diabetes tipo 1 pode ser diagnosticado em adultos, e crianças podem ter o tipo 2, quase sempre em consequência da obesidade, que vem se tornando cada vez mais comum na infância.

A prevenção do diabetes depende do tipo. No caso do tipo 1, o sistema imunológico do corpo começa a atacar as células, ameaçando os próprios tecidos do pâncreas como se eles fossem inimigos e destruindo-os. Os pesquisadores ainda não encontraram uma maneira de prevenir o diabetes tipo 1, mas sabem como controlá-lo. E quanto ao diabetes tipo 2? A prevenção é possível pela mudança de hábitos alimentares, mais atividade física regular e sono suficiente. Essas ações quase sempre bastam para prevenir a evolução do diabetes tipo 2.

Como conviver com o diabetes

O diabetes muda a vida das pessoas, mas elas podem se adaptar às mudanças. Uma parte importante do convívio com o diabetes implica reconhecer duas condições críticas: a hipoglicemia e a hiperglicemia. A hipoglicemia ocorre quando a glicose no sangue cai abaixo do nível normal, o que resulta em movimentos desajeitados, dificuldade de fala, confusão e mesmo perda de consciência. O problema acontece quando o diabético não come o suficiente, toma uma quantidade excessiva de medicamentos (inclusive injeções de insulina) ou tem atividade física exagerada, considerando-se que o cérebro precisa de glicose para funcionar adequadamente.

A hiperglicemia é o contrário da hipoglicemia: significa um nível alto de glicose no sangue. As pessoas com hiperglicemia precisam de injeções de insulina. Usualmente, elas próprias fazem isso – a injeção pode ser aplicada com muita facilidade, usando-se um instrumento chamado caneta aplicadora. Às vezes, uma bomba especial é usada a fim de bombear a insulina para o corpo automaticamente, sempre que necessário.

Tanto a hipoglicemia quanto a hipoglicemia podem ser detectadas coletando-se uma gota de sangue de um dedo e medindo-se o nível de glicose no sangue com o uso de um aparelho chamado glicômetro. Os diabéticos devem monitorar o nível de açúcar em seu sangue com muita atenção, mantendo-o na taxa normal para evitar a hipoglicemia e a hiperglicemia.

Outros fatos interessantes

Agora que você tem as informações básicas sobre o diabetes tipos 1 e 2, eis aqui alguns outros fatos relacionados ao tema que talvez o interessem.

Os pesquisadores estão trabalhando para criar um pâncreas artificial, semelhante ao natural, que libere insulina quando o corpo precisar. Esse recurso tornará a vida bem mais fácil para os diabéticos.

Há outros tipos de diabetes, inclusive o gestacional e o monogênico. O diabetes gestacional pode surgir em mulheres durante a gravidez e quase sempre desaparece após o parto. O monogênico ocorre devido a uma mutação no DNA que força o corpo a reagir inadequadamente à glicose no sangue.

O nível de glicose no sangue pode mudar devido ao estresse. Quando estressado, o corpo exige mais energia e o pâncreas tenta segregar mais insulina. Permanecer calmo e relaxado ajuda o diabético a enfrentar a doença.

Conclusão

O diabetes é uma condição na qual o corpo não consegue manter o nível adequado de açúcar no sangue, o que afeta a maneira como ele transforma a glicose em energia. O diabetes pode surgir em qualquer idade, da primeira infância à maturidade, e apresenta muitos sintomas diferentes. Não há cura para essa doença, mas conviver com ela não precisa ser complicado. Independentemente do tipo, a pessoa pode levar vida normal, se cuidar bem da saúde. A melhor coisa a fazer é ter uma alimentação saudável, beber muita água, monitorar o nível de glicose no sangue e aprender o que for possível sobre essa condição. O diabetes é, além disso, objeto de intensa pesquisa. Os cientistas trabalham para entender o que torna as pessoas sujeitas ao diabetes e desenvolvem novos métodos para diagnosticar, tratar e preveni-lo. Esse trabalho duro ajudará a reduzir o número de pessoas com diabetes no futuro e tornará sua vida mais fácil.

Glossário

Glicose: Tipo de açúcar que o corpo usa como combustível, transformando-o em energia.

Pâncreas: Órgão que converte o alimento em combustível para as células do corpo.

Insulina: Hormônio produzido pelo pâncreas que abaixa o nível de glicose no sangue, permitindo que a glicose penetre nas células.

Resistência insulínica: Condição na qual o corpo se mostra menos sensível à insulina e, portanto, não consegue retirar facilmente a glicose do sangue.

Obesidade: Condição em que a pessoa tem excesso de peso.

Hipoglicemia: Condição em que o nível de glicose no sangue é muito baixo.

Hiperglicemia: Condição em que o nível de glicose no sangue é muito alto.

Glicômetro: Instrumento médico usado para determinar o nível de glicose no sangue.

Referências

[1] Saraswathi, S., Al-Khawaga, S., Elkum, N., Hussain, K. 2019. “A systematic review of childhood diabetes research in the Middle East region.” Front. Encocrinol. 19:805. DOI: 10.3389/fendo.2019.00805.

[2] Streisand, R., Monaghan, M. 2014. “Young children with type 1 diabetes: challenges, research, and future directions.” Curr. Diabet. Rep. 14:520. DOI: 10.1007/s11892-014-0520-2.

[3] Ferrat, L. A., Vehik, K., Sharp, S. A., Lernmark, Å., Rewers, M. J., She, J. X. et al. 2020. “TEDDY Study Group; Committees. A combined risk score enhances prediction of type 1 diabetes among susceptible children.” Nat. Med. 26:1247–55. DOI: 10.1038/s41591-020-0930-4.

[4] Barranco, C. 2012. “Diabetes: early initiation of intensive therapy might benefit children with type 2 diabetes mellitus.” Nat. Rev. Endocrinol. 8:382. DOI: 10.1038/nrendo.2012.77.

[5] Rydosz, A. 2018. “Sensors for enhanced detection of acetone as a potential tool for non-invasive diabetes monitoring.” Sensors. 18:2298. DOI: 10.3390/s18072298.

Citação

Rydosz, A., Pregowska, A. e Osial, M. (2022). “Diabetes changes your lifestyle, but it does not change you.” Front. Young Minds. 10:819497. DOI: 10.3389/frym.2022.819497.

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