A Terra e seus Recursos 24 de agosto de 2022, 12:48 24/08/2022

Os impactos da mudança climática

Autores

Jovens revisores

Resumo

O aquecimento global já fez com que nosso planeta ficasse cerca de 1ºC mais quente. Esse fenômeno vem provocando uma série de fortes impactos. Por exemplo, ondas de calor se tornam mais intensas, afetando humanos e animais; em alguns lugares, o nível dos rios sobe com mais frequência, devido ao maior volume de chuvas; e secas em outras partes do mundo comprometem as colheitas. Essas mudanças afetam gravemente as pessoas, tornando difícil plantar, encontrar abrigo e evitar ocorrências climáticas perigosas como tempestades e ondas de calor. Muitas pessoas precisam abandonar suas casas e procurar locais mais seguros para viver devido às acentuadas mudanças do clima. Todos os países são afetados pela mudança climática, mas de formas diferentes. Se entendermos esses impactos e avaliarmos como as pessoas são vulneráveis à mudança climática, poderemos, com mais facilidade, nos preparar para suas futuras consequências e proteger-nos contra elas.

Quais são os impactos da mudança climática?

Nosso planeta é um lugar muito complicado, composto por inúmeros sistemas diferentes que funcionam em conjunto. Essas inter-relações significam que uma pequena mudança em uma parte do sistema climático pode provocar efeitos no planeta inteiro. Quando queimamos combustíveis fósseis como carvão, petróleo ou gás, ou derrubamos florestas, lançamos na atmosfera mais gases do efeito estufa (como dióxido de carbono, óxido nitroso e metano). A liberação desses gases na atmosfera já fez com que a temperatura média do planeta subisse cerca de 1ºC. Pode não parecer muito quando você pensa na temperatura que está fazendo lá fora, mas os cientistas descobriram que os efeitos sobre o clima e o sistema climático podem ser graves, com consequências sérias para coisas de que dependemos, como alimento, água e energia (veja, por exemplo, o anel externo da Figura 1).

Figura 1. O centro do círculo mostra os causadores da mudança climática. O anel médio ilustra as alterações que a mudança climática pode provocar no sistema climático da terra. O anel externo dá exemplos dos impactos que a mudança climática pode provocar.

Quando falamos sobre os impactos da mudança climática, referimo-nos ao modo como as vidas das pessoas e os ecossistemas dos quais elas dependem estão sendo afetados à medida que o planeta esquenta. Por exemplo, quando plantam, os fazendeiros dependem da quantidade certa de chuva, de luz solar e de temperaturas amenas para a produção de alimentos. Pessoas e animais precisam de água limpa e fresca durante o ano todo, mesmo nos períodos de seca. Muitas pessoas precisam também enfrentar eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas, incêndios do ciclo hidrológico e inundações todos os anos. Durante as três últimas décadas, vimos que a mudança climática já afetou muitos desses aspectos de nossas vidas, às vezes para o bem, às vezes para o mal.

Temperaturas mais altas

Nosso planeta ficou, sim, cerca de 1ºC mais quente nos últimos cem anos [1], mas essa não é a história completa. Em algumas partes do mundo o calor subiu bem mais do que isso, em outras, menos. Por exemplo, os polos Norte e Sul são os lugares mais frios da Terra e estão esquentando bem mais rápido do que o restante do planeta. Desde o ano 2000, observações revelaram que o Ártico esquentou duas vezes mais do que a temperatura média global.

Temperaturas mais altas têm uma série de impactos nos polos. Por exemplo, a neve e o gelo normalmente derretem no verão e voltam a congelar no inverno. Temperaturas mais altas estão fazendo com que o gelo derreta mais rapidamente e congele mais lentamente: ou seja, a quantidade total de gelo no Ártico vem diminuindo. Essa diminuição agrava o aquecimento porque a terra e a água do mar, mais escuras, absorvem mais calor do Sol que a cobertura de neve branca – a neve e o gelo usualmente refletem a luz para o espaço. Não bastasse isso, a água do gelo derretido flui para o oceano, aumentando seu nível.

Temperaturas altas também podem afetar a vida selvagem. O aquecimento global implica mudanças nos habitats de espécies como ursos polares, renas e caribus – dificultando a busca por alimento [2]. À medida que o mundo vai ficando mais quente, muitas espécies precisam se deslocar para encontrar comida ou então se adaptar a alterações nas estações. Para algumas, adaptar-se às mudanças climáticas pode não ser um problema, mas outras precisam se esforçar para encontrar novos lugares onde viver. Temperaturas mais quentes afetam igualmente pessoas no mundo inteiro – por meio de ondas de calor, por exemplo. Dias quentes ficam ainda mais quentes e ocorrem com mais frequência, ao passo que dias frios vão ficando cada vez mais raros. As ondas de calor levam algumas pessoas, principalmente as que já têm outros problemas de saúde, a contrair o estresse do calor: seu corpo se aquece muito e elas se sentem mal [3]. A umidade elevada, as temperaturas noturnas muito altas e a qualidade do ar insatisfatória também causam problemas de saúde quando ocorrem ondas de calor. Estas, porém, não afetam todas as pessoas da mesma maneira: as que trabalham ao ar livre, as que têm problemas respiratórios e os idosos podem sofrer os piores impactos do estresse do calor.

Fogo e seca

Muitas partes do mundo têm naturalmente estações secas, quando pouca ou nenhuma chuva cai por meses ou mesmo anos. Durante esses períodos, grama, arbustos e árvores ficam muito secos. Quando isso acontece, uma simples fagulha pode causar um enorme incêndio, que se estende por quilômetros. As temperaturas mais altas fazem com que a água se evapore mais depressa e, em consequência, a vegetação murcha mais rápido e as estações secas ficam ainda mais secas. Bem em cima, altos níveis de dióxido de carbono no ar ajudam as plantas a crescer, o que produz mais vegetação para queimar quando há incêndio.

Temperaturas mais altas e padrões de chuva variáveis significam que as estações secas em algumas partes do mundo (como América do Norte, Europa, África Ocidental e Meridional, e Austrália) devem se tornar mais longas e mais quentes. Ou seja, nessas áreas há maior probabilidade de incêndios catastróficos como os vistos na Austrália em 2019-20 e Califórnia em 2020.

Alimento e água

Como a mudança climática faz a temperatura do ar subir, ele pode conter mais água. Isso quer dizer que, quando chove, chove muito mais! No entanto, em alguns lugares, as precipitações passam a ocorrer com menos frequência, tornando mais longos os períodos de seca. A falta de chuvas coloca os habitantes dos lugares secos em risco de não terem água fresca para beber. Nessas condições, o solo se racha, as plantas não têm água suficiente para crescer e as pessoas precisam limitar seu consumo de água. Quando finalmente a chuva vem, o solo duro e ressequido quase não consegue absorver a água e acontecem as inundações, que também prejudicam as colheitas.

Todas as pessoas têm de plantar ou comprar alimento suficiente para sobreviver. A isso se chama segurança alimentar [4]. A mudança climática afeta-a de várias maneiras. Por exemplo, temperaturas mais quentes, chuvas regulares e grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera são em geral condições melhores para o crescimento das plantas. Nas áreas onde ocorrem essas mudanças, o solo produz mais alimentos, que podem ser consumidos pelos habitantes locais ou enviados para lugares onde são necessários. A Terra inteira presenciará aumentos de temperatura e dióxido de carbono, mas não se pode saber com facilidade em quais áreas haverá um aumento de chuva.

Da mesma forma que os humanos, criações como vacas, porcos e galinhas são afetadas por ondas de calor mais intenso. Nesses períodos, as plantações podem morrer, deixando as pessoas à míngua de alimento. Alguns fazendeiros conseguem cultivar plantas mais resistentes ao calor e construir abrigos para o gado; mas isso exige dinheiro e os mais pobres encontram dificuldades para proteger suas plantações e animais.

Conclusão

Em resumo, a mudança climática afeta as pessoas diretamente, devido às ondas de calor mais intensas, aos incêndios mais violentos e frequentes ou aos longos períodos de seca, mas também indiretamente, em virtude dos danos causados aos ecossistemas que nos fornecem alimento e água. Isso deve ser levado em conta porque, se o clima continuar mudando no futuro, muitas pessoas, sobretudo de países pobres, arcarão com os piores efeitos da mudança. A fim de ajudar esses países a reduzir a pobreza e os impactos da mudança climática, todos os membros das Nações Unidas concordaram em estabelecer Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para garantir que, no futuro, todos tenham acesso a água limpa, fome zero e uso racional da terra. Ao perseguirem esses objetivos e atuarem para minimizar a mudança climática, os países esperam poder dar um fim à pobreza global, tornar-se mais sustentáveis e limitar os impactos do fenômeno climático.

Glossário

Sistema climático: Sistema inter-relacionado que afeta nosso clima. Inclui atmosfera, ciclo de água, gelo, rochas e todos os seres vivos.

Gases do efeito estufa: Gases presentes na atmosfera que absorvem o calor do Sol na superfície da Terra. Incluem dióxido de carbono, metano e óxido nitroso.

Ciclo hidrológico: A água evapora dos rios, lagos, solo e plantas para a atmosfera, onde forma nuvens, cai na terra e volta para os rios, lagos e mares.

Temperatura média global: No mundo inteiro, termômetros são usados em terra e mar para medir a temperatura média em um determinado dia. Podemos até estimar a temperatura em lugares onde não há termômetros.

Estresse do calor: Ocorre quando o tempo está extremamente quente e úmido, fazendo com que seu corpo fique superaquecido. Quando isso acontece, precisamos nos sentar à sombra e beber muita água.

Segurança alimentar: Modo de descrever até que ponto você tem certeza de que sempre terá alimento para comer.

Referências

[1] Morice, C. P., Kennady, J. J., Rayner, N. A., Winn, J. P., Hogan, E., Killick, R. E. et al. 2021. “An updated assessment of near-surface temperature change from 1850: the HadCRUT5 data set.” J. Geophys. Res. Atmos. 126:e2019JD032361. DOI: 10.1029/2019JD032361.

[2]  Pagano, A. M. e Williams, T. M. 2021. “Physiological consequences of Arctic sea ice loss on large marine carnivores: unique responses by polar bears and narwhals.” J. Exp. Biol. 224:jeb.228049. DOI: 10.1242/jeb.228049.

[3]  Matthews, T. K. R., Wilby, R. L. e Murphy, C. 2017. “Communicating the deadly consequences of global warming for human heat stress.” Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A. 114:3861–6. DOI: 10:1073/pnas.1617526114.

[4]  Richardson, K. J., Lewis, K. H., Krishnamurthy, P. K., Kent, C., Wiltshire, A. J. e Hanlon, H. M. 2018. “Food security outcomes under a changing climate: impacts on mitigation and adaptation on vulnerability to food insecurity.” Clim. Change 147:327–41. DOI: 10.1007/s10584-018-2137-y.

Citação

Hartley, A. e Tandon, A. (2022). “The impacts of climate change.” Front. Young Minds. 10:716479. DOI: 10.3389/frym.2022.716479.

Encontrou alguma informação errada neste texto?
Entre em contato conosco pelo e-mail:
parajovens@unesp.br