Biodiversidade Ideias fundamentais 22 de janeiro de 2026, 10:00 22/01/2026

Dugongos: os detectores submarinos de ervas marinhas que ajudam cientistas a proteger ecossistemas importantes

Autores

Jovens revisores

Resumo

Você consegue imaginar vacas pastando em um campo de grama? Você sabia que também existem “vacas” no fundo do mar que pastam em pradarias de ervas marinhas? Os dugongos — um tipo de “vaca marinha” — estão ameaçados de extinção, principalmente devido às atividades humanas e à perda de sua principal fonte de alimento, as ervas marinhas. As ervas marinhas são um grupo de plantas com flores que crescem no oceano! Elas são importantes não apenas como fonte de alimento para os dugongos, mas também porque servem como lar para muitos animais, absorvem dióxido de carbono, auxiliam na mitigação das mudanças climáticas e muito mais! No entanto, as ervas marinhas estão diminuindo globalmente, o que é uma má notícia não apenas para os dugongos, mas também para os humanos. Felizmente, a presença de dugongos pode ajudar os cientistas a entender a saúde das ervas marinhas em uma área, bem como a localizar e proteger nossos importantes ecossistemas de ervas marinhas.

Dugongos: os vegetarianos do mar

Os dugongos são mamíferos que vivem no oceano. Possuem corpos arredondados e pele lisa. Você pode avistá-los acima da água, pois vêm à superfície para respirar a cada 3 a 12 minutos através de seus focinhos únicos, que se assemelham a um cruzamento entre a tromba de um elefante e o bico de um golfinho (Figuras 1A e B). Os dugongos podem atingir cerca de 3 metros de comprimento, impulsionando-se na água com uma cauda larga e com nadadeira caudal (semelhante à de um golfinho).

São encontrados em águas costeiras quentes e rasas de 46 países nos Oceanos Índico e Pacífico (Figura 1C). Como animais migratórios, podem, às vezes, percorrer grandes distâncias em busca de alimento.

Os dugongos também são importantes para muitos povos indígenas em todo o mundo, como parte de sua cultura e uma fonte tradicional de alimento.

Figura 1 – (A, B) Dugongos alimentando-se de ervas marinhas no substrato oceânico.
Você pode ver seus focinhos únicos e como esses animais os usam para mastigar seu alimento favorito: ervas marinhas. (C) Um mapa mostrando (em laranja) onde os dugongos podem ser encontrados [Créditos da figura: (A, B) Ahmed Shawky; (C) União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) 2015. Dugong dugon. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN.

Os dugongos pertencem à ordem (um grupo de animais semelhantes) Sirenia, que contém apenas quatro espécies em todo o mundo [1]. Três delas são espécies diferentes de peixes-boi (encontrados na América do Norte e do Sul e na África Ocidental), que são um pouco maiores e parecem ligeiramente diferentes dos dugongos, com caudas em forma de pá, um formato de boca diferente e “unhas” em suas nadadeiras. A quarta espécie são os dugongos.

Dugongos e peixes-boi são herbívoros, o que significa que são vegetarianos e se alimentam apenas de plantas. Tanto os dugongos quanto os peixes-boi são conhecidos como “vacas-marinhas” porque sua dieta consiste principalmente de ervas marinhas, a única planta com flores encontrada no mar. Os dugongos são encontrados apenas em ambientes marinhos (água salgada), enquanto os peixes-boi dependem tanto de água doce quanto salgada. Isso torna os dugongos os únicos mamíferos vegetarianos que vivem no mar.

Os dugongos têm uma longa vida útil, podendo viver até 70 anos. No entanto, os dugongos têm uma baixa taxa de natalidade – a taxa na qual uma espécie produz filhotes. As taxas de natalidade podem ser usadas para entender a rapidez com que uma espécie pode se recuperar, o que pode nos ajudar a saber se uma espécie precisa de proteção. No caso dos dugongos, essa taxa é de um filhote a cada 3–7 anos e levam muitos anos para começar a ter filhotes (bebês), que vivem com suas mães por cerca de 2 anos. Essas características tornam os dugongos vulneráveis ​​à diminuição de seus números.

Sendo animais grandes, os dugongos não têm muitos predadores naturais, mas filhotes de dugongos e dugongos doentes ou feridos são vulneráveis ​​a serem comidos por grandes tubarões, orcas e crocodilos de água salgada. No entanto, as principais ameaças aos dugongos são causadas por humanos, incluindo a perda de seus habitats de ervas marinhas, sendo atingidos por barcos e ficando presos em redes de pesca. Como resultado, os dugongos estão diminuindo em todo o mundo e são vulneráveis ​​à extinção. Portanto, os dugongos e seus habitats de ervas marinhas precisam de atenção e proteção extras.

Ervas marinhas, as campeãs do oceano!

As ervas marinhas são extremamente importantes para os animais que vivem debaixo d’água e até mesmo para os humanos! Elas são a principal fonte de alimento não apenas para os dugongos, mas também para outros animais marinhos, como peixes e tartarugas [2]. As ervas marinhas também abrigam muitos animais, incluindo peixes que os humanos gostam de comer. Essas plantas também são campeãs em nossa batalha contra as mudanças climáticas, pois ajudam a reter carbono nos sedimentos.

As ervas marinhas têm folhas, raízes e rizomas (uma seção de uma planta que corre ao longo do solo ou sedimento, conectando as raízes e folhas. Os rizomas podem armazenar energia produzida pela fotossíntese, que pode ser usada em momentos de estresse), assim como muitas das plantas que crescem em terra, mas vivem debaixo d’água! As ervas marinhas se reproduzem por meio de sementes desenvolvidas a partir de flores, criando plantas geneticamente únicas, mas também podem criar cópias exatas (clones) de si mesmas (Figura 2B).

Como as ervas marinhas são plantas, elas precisam de luz para realizar a fotossíntese (processo que as plantas usam para produzir seu próprio alimento usando dióxido de carbono, água e a energia da luz solar), portanto, geralmente são encontradas em águas rasas. As ervas marinhas vêm em todas as formas e tamanhos. Algumas ervas marinhas, como a erva-de-pá, são muito pequenas e têm folhas em forma de pá do tamanho do seu polegar, enquanto outras, como a erva-de-fita, lembram grandes folhas de grama e podem crescer até o comprimento do seu braço ou até mais alto que você.

Você pode encontrar ervas marinhas em todo o mundo, nas costas de todos os continentes, exceto na Antártida, onde é frio demais para o crescimento delas. De fato, a temperatura desempenha um papel importante na escolha do local onde as ervas marinhas vivem, com algumas espécies vivendo em oceanos tropicais quentes e outras em águas temperadas frias.

Figura 2 – (A) Dugongos comendo seu alimento favorito (ervas marinhas!) e criando áreas de areia nua chamadas de “trilhas de alimentação”.
(B) Ervas marinhas adultas, bem como sementes de ervas marinhas produzidas por flores. As sementes podem brotar no fundo do mar, transformar-se em mudas de ervas marinhas e, em seguida, crescer até se tornarem plantas adultas para completar seu ciclo de vida. (C) As fezes dos dugongos podem conter sementes de ervas marinhas, que podem germinar e se transformar em mudas de ervas marinhas. Portanto, quando os dugongos se movem, eles podem ajudar a espalhar sementes de ervas marinhas para novas áreas (Crédito da imagem: Tori Gorham Illustration).

Nos últimos 100 anos, o mundo perdeu cerca de 19% de suas ervas marinhas. E, infelizmente, em alguns lugares ainda estamos perdendo o equivalente a área de um a dois campos de futebol de ervas marinhas a cada hora! Os campos de ervas marinhas estão sendo danificados pelo desenvolvimento costeiro, como portos, e, mais recentemente, pelas mudanças climáticas.

Quando perdemos ervas marinhas, também perdemos todos os benefícios que elas proporcionam ao meio ambiente e a nós, incluindo o fornecimento de alimento para os dugongos.

Dugongos podem ser bons “agricultores de ervas marinhas”

Os dugongos passam grande parte do dia alimentando-se de ervas marinhas, soltando gases (uma dieta vegetariana causa isso ) e defecando. Eles comem muito: cerca de 40 quilos de ervas marinhas por dia, o que equivale a 130 pés de alface. Os dugongos comem tanto folhas quanto rizomas de ervas marinhas, deixando manchas de areia nua no prado de ervas marinhas enquanto se alimentam (Figura 2A).

Em algumas áreas, eles são considerados “agricultores de ervas marinhas”, porque, com o tempo, seu comportamento alimentar muda as espécies de ervas marinhas mais comumente encontradas em um prado [3]. Espécies pequenas e de crescimento rápido são geralmente as primeiras a formar um prado de ervas marinhas, que são as espécies que os dugongos preferem comer. Espécies menores de ervas marinhas têm alto valor nutricional e, ao removerem continuamente pequenas ervas marinhas enquanto comem, os dugongos, com o tempo, impedem que outras espécies de ervas marinhas de crescimento mais lento, que são menos nutritivas, assumam o controle.

Esse processo de pastejo por parte dos dugongos que gera influência sobre quais as espécies de ervas marinhas estão presentes é conhecido como ciclo de feedback positivo, um processo no qual uma mudança causa efeitos que a fazem crescer ainda mais, como uma bola de neve rolando morro abaixo e ficando maior, mantendo o ecossistema em um estado favorável aos dugongos.

Outro ciclo de feedback positivo ocorre quando os dugongos defecam. Se o cocô contiver sementes de ervas marinhas, novas plantas de ervas marinhas também podem se estabelecer e crescer a partir desse pacote de fertilizante rico em nutrientes (Figura 2C). De fato, sementes de ervas marinhas que passam por um dugongo têm maior probabilidade de germinar e crescer do que sementes que não o fazem. Ao espalhar sementes dessa maneira, os dugongos também aumentam a diversidade genética (uma gama de características diferentes que podem ser passadas de pais para filhos.

Um exemplo são as diferentes cores dos olhos em humanos) de pradarias de ervas marinhas. Você pode pensar na diversidade de uma espécie como personagens de super-heróis. Por exemplo, quando Thor e a Viúva Negra (ambos super-heróis humanos) combinam suas forças, eles são mais fortes diante dos inimigos. Quando uma única espécie de erva marinha (por exemplo, a erva-de-pássaro) possui as forças de Thor e da Viúva Negra na pradaria, elas são mais fortes diante dos impactos humanos, incluindo as mudanças climáticas.

Quando as ervas marinhas desaparecem, os dugongos também desaparecem

Se um prado de ervas marinhas desaparece por causa de algum evento climático extremo (por exemplo, um ciclone), os dugongos deslocam-se para outro local, por vezes muito distante, para encontrar ervas marinhas. Cientistas têm monitorado alguns dugongos que viajam por centenas de quilômetros deslocando-se entre manchas de ervas marinhas. De fato, a maior distância registrada por um dugongo é de 1000 km [4], o que equivale a viajar de São Paulo a Brasília. Quando não há ervas marinhas suficientes para comer, os dugongos adiam a gravidez até que as ervas marinhas se tornem mais saudáveis. Com o tempo, isto pode significar uma diminuição no número de dugongos numa dada área.

Perto de uma pequena cidade costeira na Austrália Ocidental, existe um belo corpo d’água chamado Golfo de Exmouth. Ele abriga uma vida marinha bem diversificada, incluindo dugongos e ervas marinhas. O Golfo abriga um habitat essencial para dugongos nesta parte do mundo, e os animais passam o ano todo por lá, pastando ervas marinhas. No entanto, em 1999, algo interessante aconteceu.

Um ciclone tropical causou danos generalizados às ervas marinhas no Golfo de Exmouth. No ano seguinte, o número de dugongos no Golfo estava anormalmente baixo. Mas, 400 km ao sul, em um local chamado Shark Bay, houve o número de dugongos. Shark Bay é conhecida por seus exuberantes campos de ervas marinhas e, durante o ciclone, esses campos não sofreram os mesmos danos que os campos no Golfo de Exmouth.

Os cientistas acreditam que os dugongos no Golfo de Exmouth empreenderam a longa jornada para o sul, em busca de alimento [5]. Como é difícil identificar individualmente os dugongos, e não havia dados de rastreamento, é difícil saber por quanto tempo os dugongos podem ter permanecido na Baía de Shark. No entanto, vários anos depois, havia um número maior de dugongos de volta ao Golfo de Exmouth, sugerindo que as ervas marinhas haviam retornado.

Dugongos Podem Ajudar Cientistas a Encontrar Ervas Marinhas

Para as ervas marinhas tropicais que os dugongos comem, os dugongos são uma importante espécie indicadora – uma espécie que pode fornecer aos cientistas informações sobre mudanças ecológicas simplesmente com base em sua presença. Eles podem dar aos cientistas uma indicação sobre a saúde de um ecossistema, o que significa que eles podem ajudar a informar os cientistas sobre a presença e a saúde dos prados de ervas marinhas [6]. Os prados de ervas marinhas ocorrem no fundo do mar, frequentemente em águas turvas, dificultando o rastreamento da localização das ervas marinhas e seu desempenho. Os dugongos que se alimentam de ervas marinhas vêm à superfície a cada poucos minutos para respirar, então eles podem  ser detectados do ar nesses habitats de ervas marinhas. Os cientistas podem pilotar aviões ou drones sobre essas grandes áreas e registrar onde os dugongos estão, o que então lhes diz onde as ervas marinhas podem estar.

Você também pode ajudar a proteger os dugongos e seus habitats!

Precisamos proteger e conservar nossos campos de ervas marinhas para garantir que os dugongos possam prosperar no futuro. Muitas pessoas, tanto cientistas quanto comunidades, estão ajudando a proteger esses ecossistemas e você pode fazer parte da equipe. Aqui estão algumas dicas de como você pode ajudar!

• Primeiro: se você mora perto do oceano, pode ser um “detetive de dugongos” visitando um prado de ervas marinhas local (Figura 3). Existem 72 espécies de ervas marinhas no mundo, e você pode encontrá-las neste site. Escolha sua erva marinha favorita e conscientize seus amigos e familiares sobre a importância delas.

• Em seguida, você pode ajudar a proteger as ervas marinhas e os dugongos cuidando do oceano. Uma maneira fácil de fazer isso é reciclando, reduzindo o uso de plásticos descartáveis ​​(como garrafas de água e recipientes para alimentos) e colocando o lixo no lixo.

• Você também pode comemorar o Dia Mundial das Ervas Marinhas em 1º de março de cada ano. Este dia ajuda a conscientizar sobre a importância das ervas marinhas e quais atividades ameaçam sua saúde e sobrevivência.

• Por fim, você pode encontrar pesquisadores ou protetores locais e ajudá-los a salvar as ervas marinhas. A boa notícia é que há muitos deles e eles podem ter projetos comunitários nos quais você pode se envolver. Confira o Project Seagrass, o Seagrass Watch e a World Seagrass Association como bons lugares para começar a aprender.

Figura 3 – “Detetive dugongo” examinando diferentes espécies de ervas marinhas para escolher sua favorita!

Glossário

Povos Indígenas: Comunidades constituídas pelos habitantes originais de uma região, com fortes laços culturais com a terra e o mar locais, além de muitas histórias e experiências sobre mudanças na terra ao longo do tempo.

Taxa de Natalidade: A taxa na qual uma espécie produz filhotes. As taxas de natalidade podem ser usadas para entender a rapidez com que uma espécie pode se recuperar, o que pode nos ajudar a saber se ela precisa de proteção.

Rizoma: Uma parte de uma planta que se estende pelo solo ou sedimento, conectando raízes e folhas. Os rizomas podem armazenar energia produzida pela fotossíntese, que pode ser usada em momentos de estresse.

Fotossíntese: O processo que as plantas usam para produzir seu próprio alimento (açúcares) usando dióxido de carbono, água e a energia da luz solar.

Ciclo de Feedback Positivo: Um processo no qual uma mudança causa efeitos que a fazem crescer ainda mais, como uma bola de neve rolando morro abaixo e ficando maior.

Diversidade Genética: Uma gama de características diferentes que podem ser transmitidas de pais para filhos. Um exemplo são as diferentes cores dos olhos em humanos.

Ciclone Tropical: É uma tempestade circular que se forma sobre oceanos quentes. Isso pode trazer ventos fortes e chuvas torrenciais.

Espécies Indicadoras: Uma espécie que pode fornecer aos cientistas informações sobre mudanças ecológicas simplesmente com base em sua presença. Isso pode dar aos cientistas uma indicação sobre a saúde de um ecossistema.

Referências

[1] Marsh, H., J, O’Shea., e T, E. Reynolds III. 2011. Ecology and Conservation of the Sirenia: Dugongs and Manatees. Cambridge: Cambridge University Press. doi: 10.1017/CBO9781139013277

[2] Orth, R. J., Carruthers, T. J. B., Dennison, W. C, Duarte, C. M., Fourqurean J. W., Heck, K. L., et al. 2006. A global crisis for seagrass ecosystems. Bioscience 56:987. doi: 10.1641/0006-3568(2006)56[987:AGCFSE]2.0.CO;2

[3] Marsh, H., Grech, A., e McMahon, K. 2018. “Dugongs: seagrass community specialists”, in Seagrasses of Australia, eds. A. Larkum, G. Kendric,k G., and P. Ralph (Springer International Publishing), 629–661.

[4] Hobbs, J-P. A., Frisch, A. J., Hender, J., e Gilligan, J. J. 2007. Long-distance oceanic movement of a solitary dugong (Dugong dugon) to the cocos (Keeling) islands. Aquat Mamm. 33:175–178. doi: 10.1578/AM.33.2.2007.175

[5] Gales, N., McCauley, R. D., Lanyon, J., e Holley, D. 2004. Change in abundance of dugongs in Shark Bay, Ningaloo and Exmouth Gulf, Western Australia: evidence for large-scale migration. Wildl Res. 31:283–290. doi: 10.1071/WR02073

[6] Hays, G. C., Alcoverro, T., Christianen, M. J. A., Duarte, C. M., Hamann, M., Macreadie, P., et al. 2018. New tools to identify the location of seagrass meadows: Marine grazers as habitat indicators. Front Mar Sci. 4:1–6. doi: 10.3389/fmars.2018.00009

 

Citação

Said N, Lafratta A, D’Cruz A, Frouws A, O’Dea C, McMahon K, Webster C, Salgado Kent C, Tucker J e Hodgson A (2024) Dugongs: Underwater Seagrass Detectors That Help Scientists Protect Important Ecosystems. Front. Young Minds. 12:1386359. doi: 10.3389/frym.2024.1386359

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